segunda-feira, maio 23, 2005

O MACACO E A ESSÊNCIA




Aldous Huxley – O MACACO E A ESSÊNCIA, 1969
(desculpe-me o leitor, pois não tive a prudência de anotar os dados do livro, tanto quanto a página da qual retirei o trecho que segue depois do comentário.)

Ótimo crítico social, visionário, Aldous Huxley, criou o maravilhoso O macaco e a essência onde faz um esboço da destruição que uma sociedade pode causar a si mesma.
Na Califórnia, depois do Apocalipse, as coisas ficam muito diferentes, quem reina no local é o todo poderoso Beliel, o anticristo. Ele toma conta do lugar e passa a ser alvo de devoção. Neste interin, cientistas da Nova Zelândia vão até a Califórnia para fazer experiências, um dos biólogos se perde e cai dentro desta cidade tomada por satanás. Lá ele descobre que os valores sociais e morais são bem diferentes dos outros povos. Ele se apaixona por uma garota e juntos decidem fugir daquele inferno.
O livro passa uma mensagem muito importante para nossa sociedade contemporânea, aqui está um trecho do livro para reflexão:



Narrador
O amor elimina o medo, mas reciprocamente o medo elimina o amor. E não apenas o amor. O medo elimina a inteligência, elimina a bondade, elimina todo pensamento de beleza e verdade. Só persiste o desespero mudo ou forçadamente jovial de quem pressente a obscena presença no canto do quarto e sabe que a porta está trancada, que não há janelas. E então a coisa acomete. Ele sente uma mão na sua manga, respira um bafo fétido, quando o ajudante do carrasco se inclina quase amorosamente para ele (...). E o medo, meus bons amigos, o medo é a própria base e fundamento da vida moderna. Medo da tão apregoada tecnologia que, enquanto eleva o nosso padrão de vida, aumenta a probabilidade de nossa morte violenta. Medo da ciência que arrebata com uma das mãos ainda mais do que tão prodigamente distribui com a outra. Medo das instituições manifestamente fatais pelas quais, em nossa lealdade suicida, estamos prontos a matar ou morrer. Medo dos grandes homens que elevamos, por aclamação popular, a um poder que eles usam, inevitavelmente, para nos massacrar e escravizar. Medo da guerra que nós não queremos e todavia tudo fazemos para desencadear.

2 Comments:

Anonymous B said...

Cara, esse livro é demais...
Ontem mesmo. Antes de ver esse texto em seu blog, eu sublinhei essa mesma parte no meu livro...

8:46 AM  
Blogger Juliano de Almeida Elias said...

Esse livro é fascinante, acho que gostei mais até do que o "Admirável Mundo Novo"!

11:03 AM  

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